Hoje chorei. Chorei muito. - Birras em Direto

Hoje chorei. Chorei muito.

Fotografia Dois é Par

A pressão destas semanas acabou por me fazer ceder, inesperadamente, sem dor ou contrações.

Chorei, chorei muito, não o posso esconder. Senti um turbilhão de emoções a invadir-me e não aguentei. Precisava deitar cá para fora tudo o que estava a sentir. Precisava limpar a alma. Perdoem a minha fraqueza, perdoem ter vacilado.

Ontem, o cansaço já se apoderava de mim. Hoje, enquanto tomava banho e a água descia pelo meu rosto, as lágrimas não paravam de cair. Queria gritar, sair daqui, abraçar o meu filho, o meu marido, precisava de um boost energético, porque senti que estava a fraquejar.

Serei fraca por isto? Andei a aguentar durante estas semanas para me ir abaixo agora. Será normal? Será justo para os meus filhos? E para mim?

Hoje, estou em dia não. Hoje, não é um bom dia. A dor no coração está mais forte do que qualquer contração. Mas, se aguentei até agora, posso aguentar mais. Claro que posso!

Amanhã farei as 31 semanas e depois será um pulinho até ao meu grande objetivo. Mas… E se quiserem nascer mais cedo? Terei forças para travar mais batalhas? As dúvidas não deixam de me assombrar. As médicas dizem que cada dia é uma vitória, para aguentar firme, e os enfermeiros são a nossa segunda família. A cama, neste momento, é a minha melhor amiga, pois o repouso é o que tem aguentado os gémeos aqui dentro.

Escrevo-vos enquanto oiço “The Power of Love”, da Jennifer Rush. O meu Pai acabou de me pedir que a ouvisse, pois era a única música que me fazia acalmar quando era pequenina. Embora me dê uma certa paz, porque me é familiar, não consigo controlar as lágrimas que teimam em cair. Tenho medo que entre alguém de repente no quarto e me veja neste estado, sei que as perguntas vão surgir e não quero justificar-me.

Não estou a bater no fundo e não vou ficar presa a esta dor. Este não é o meu limite. Eu conheço-me! Vou ter de ganhar forças para voltar à superfície. Uma superfície que diariamente se torna cada vez mais imprevisível, mas tenho de lá permanecer e deixar a mente fluir naturalmente. Irei encontrar obstáculos todos os dias, mas o sabor da vitória será recompensador. E de que maneira.

Desculpem o desabafo, mas precisava deste dia para limpar a alma.

Beijinhos

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Comentários (5)

  • Rita Novais 3 meses ago Responder

    Oh Martinha… Muita força. E chora! Chora muito. Sei que esse não é o motivo, mas, afinal de contas, estás bi-grávida e… a culpa é das hormonas 😀 A dobrar! Por isso, chora à vontade. Como dizes, serve para limpar a alma e para aliviar a pressão que estás a sentir pelas incertezas. Mas, como diz o teu “Pai Birras”, vai tudo dar certo. Só tens de continuar a descansar. Tu e os teus bebocas 😉
    Descansa muito agora, porque depois… já sabes que não vais “dormir mais de duas horas seguidas”. E se com um é difícil fazer essas “pausas” no sono, com dois então, nem quero imaginar. Força! Um beijinho.

  • Elisabete 3 meses ago Responder

    Chorar não faz mal Martinha, lava a alma, amanha estas melhor vais ver! aguenta firme linda!
    Beijinhos

  • Vania teixeira 3 meses ago Responder

    Ola marta…muita forca e que corra tudo bem…ai sua chorona 😝😝o meu lucas quando nasceu tambem chorei muito por causa da maminha…😂😂😂deixa la…somos todas choronas…beijinho grande

  • Mary 3 meses ago Responder

    Marta, tenho acompanhado sempre todos os seus posts, tem sido uma guerreira com uma força e uma valentia desmedida e assim vai continuar até que esses 2 birras saiam cá para fora(rezo que a partir das 38s 🙏)! Tem um filho tão lindo, um marido que faz tudo por si, enfrenta o mundo e neles é ver a força que precisa hoje para sorrir, sorrir muito! Muita força Marta, muitos sorrisos mesmo quando se sente a fraquejar, é um exemplo para todas nós, uma força da natureza 😁❤️🤗

  • Elsa 3 meses ago Responder

    Não a conheço, nem tão pouco costumo comentar blogues ou sites. Mas hoje tive que o fazer. Apenas na tentativa de lhe dar alguma força extra. Sei o que sente.
    Sou mãe de uma bebe de 14 meses. A gravidez foi muito complicada. Foi-me diagnosticado colo curto às 22 semanas (media apenas 23mm, nesta fase) e a partir daí estive de repouso ABSOLUTO e o colo foi ficando cada vez mais curto (15mm). Só me levantava para ir à casa de banho (que ficava no quarto) e os banhos eram racionados (não podiam ser diários!), para que não estivesse muito tempo de pé.
    Consigo sentir e perceber tudo aquilo que sente, pois também o senti. Li e estudei muito sobre o mundo da prematuridade. Preparei-me para o que pudesse acontecer. Li sobre historias de finais felizes. Ouvi muita musica, “A vida toda” da Carolina Deslandes, até já lhe agradeci por isso!
    O tempo passou, contei os dias e agradeci todas as semanas. Aguentamos 101 dias e chegamos até às 36 semanas e 3 dias. Entrei em trabalho de parto espontâneo e a partir daí correu tudo o melhor possível. Nasceu com 2700grs e pronta para enfrentar este mundo. Hoje é uma Íris com 14 meses, linda, mas sobretudo, saudável.
    Conto-lhe a minha história apenas para que saiba que existem finais felizes, e que o seu certamente também o será, embora muitas vezes essa realidade nos pareça ainda muito distante. NÃO É. Posso garantir-lhe.

    Tudo de bom para si e para todos os seus. Um beijinho. Elsa.

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