Birras em Direto - Birras de um puto de 2 anos e de uma mãe de 31 :)

Como gerir ciúmes entre irmãos? Dicas aceitam-se.

Os ciúmes do Rafael ainda não chegaram, mas parte-me o coração saber que não consigo dar-lhe a atenção que ele quer.

O meu pai vai busca-lo todos os dias à escola e todos os dias ele janta na casa dos meus pais, uma ajuda fundamental que nos permite ter tudo ainda mais organizado. Chega à nossa casa por volta das 19h30 / 20h e quer logo brincar connosco, mas nem sempre é possível por causa dos manos. Para tentar contornar esta situação, tentamos fazer com que o Rafael também faça parte destes momentos em que tratamos dos gémeos. Estamos conscientes que não é suficiente, porque uma criança da idade dele precisa de brincar mesmo, mas não deixa de ser uma tarefa em que estamos todos juntos e isso já nos deixa a todos bem mais felizes.

Prioridades trocadas que mexem comigo!

Acho incrível a insensibilidade evidenciada por algumas pessoas na hora de definir / dar prioridades. Durante a gravidez não me quis chatear com este assunto, e raramente tomei atitudes, a não ser quando me incomodava seriamente, mas muito me arrependo. O meu marido chegou a chatear-se com isto, porque as pessoas fingiam que não viam que estava grávida e outras chegavam mesmo a dizer que não era doença.  Típico, portanto!

Quando o Rafael nasceu, não me aproveitei minimamente da minha condição. Só passava à frente quando ele estava mesmo muiiiiito irrequieto. Agora, com os gémeos, mudei totalmente a minha postura e chego a exigir. Faço-o porque é um direito nosso e este é o único momento em que podemos usufruir dele.

O truque é descomplicar

Nos últimos dias tenho andado a pensar na mãe que me tornei. Isto porque me sinto diferente e, confesso-vos, para melhor.

Quando o Rafael nasceu tudo era novidade. Queria fazer a maioria das coisas sozinha e ficava frustrada quando não conseguia. Chorava ao ritmo dele e parecia carregar o mundo nos ombros, na alma, porque tudo parecia tão complicado. Era mãe de primeira viagem e tudo era novidade, uma autêntica aventura.

Desta feita decidi que tudo seria diferente. Era imperativo melhorar certas atitudes e evitar alguns erros. Sei que amadureci, sei que muitas coisas já não são propriamente novidade, mas estar com os gémeos durante o dia sozinha levantava-me dúvidas sobre se iria dar conta do recado.

Fui mãe, e agora como me olho ao espelho?

Olhar-me ao espelho, ultimamente, não tem sido nada fácil, embora saiba que estas marcas no meu corpo espelham uma grande luta e amor.

Esta gravidez foi bastante difícil, a nível psicológico e físico, e passei por momentos bastantes complicados. Preparei-me para toda a logística que iria ter no futuro mas esqueci-me de me preparar para o reflexo que iria ter no espelho. Estou assustada e a tentar processar tudo e a aceitar(-me).

A minha barriga cresceu bastante, a pele esticou até ao seu limite, e as estrias apareceram nas duas semanas antes do parto. Na altura não valorizei, o foco era outro, mas hoje a realidade é outra.

Hoje, decidi fotografar-me, e encarar-me sem medos. Esta sou eu, agora. Mais pesada é certo, com outras formas, mas também mais recheada de amor. Não me sinto feia, não poderia fazer isso comigo (não o façam também, todas somos lindas), mas não estou confortável com a minha pele.

Parto ou amamentação. Qual custa mais? Eu digo-vos.

Perdi a noção de quantas vezes me perguntaram se estava a amamentar os gémeos e decidi fazer um artigo sobre o tema. Atenção, este texto reflete apenas aquela que foi / tem sido a minha experiência. Em nenhum momento estarei a generalizar seja o que for.

A amamentação do Rafa já tinha sido um processo complicado, porque não tive um bom acompanhamento no pós-parto, era “marinheira de primeira viagem”, não sabia o que significava uma boa pega para o bebé e, consequentemente, não sabia se ele estaria bem alimentado. Naturalmente, o Rafa perdeu mais de 10% do peso esperado nos primeiros dias. A descida do leite deu-se cinco dias após o seu nascimento e até lá foi introduzido suplemento. Ao que parece, os meus mamilos não eram bons para a pega por não serem proeminentes. Tenho implantes e, mal desceu o leite, tive dores horríveis, chorava de manhã à noite, porque estes estavam a fazer uma grande pressão. Ainda assim, aguentei até aos dois meses e meio que o Rafael mamasse no meu peito e bebesse suplemento.

O Rafa superou as melhores expectativas

Cheguei a escrever sobre os ciúmes que o Rafael poderia vir a sentir dos irmãos e até sobre a forma de preparar os manos mais velhos para a chegada dos mais novos, mas, sinceramente, foi sempre um tema que me deixou algo apreensiva. Sempre receei que o meu birras mais velho se comportasse de uma forma diferente após o nascimento dos irmãos e não me perguntem porquê. Ele só tem três anos e sempre foi muito ciumento quando outras crianças estão por perto, mas, confesso, estava à espera que fosse pior. É certo que o preparámos durante os oito meses de gravidez e desde o nascimento sempre nos esforçámos para que não se sentisse minimamente excluído, mas a verdade é que o resultado superou, e muito, as nossas expectativas. Ainda que não seja muito justo sermos nós a ficar com todos os louros, porque muito vem da essência especial deste menino que tem tanto de birrento como de amoroso.

Os altos e baixos dos primeiros tempos

Os dias têm sido uma autêntica loucura. Entrar na rotina é sempre o mais complicado, mas sei que acabarei por conseguir. Muitas de vós me questionam como posso ter esta postura tão descontraída e fazer as coisas sempre com um sorriso no rosto. Bem, confesso que é todo um processo cheio de altos e baixos. Aprendi muito durante o internamento, sinto que cresci e me tornei uma mulher mais forte. Tive muito tempo para pensar e projetar a mãe que queria ser quando eles nascessem, mas não posso dizer que esteja a ser fácil. Se com um filho as coisas já são difíceis, imaginem com três em que dois deles são recém-nascidos.

Tento sorrir muito, brincar com o mais velho sempre que está em casa e integrá-lo em todas as tarefas, tento não esquecer que também sou mulher e procuro tratar de mim, mas também já chorei, já me olhei ao espelho e não gostei do que vi, já tive de me chatear e arrepender-me em seguida, já gritei com quem não devia. Tudo isto exatamente porque os dias não são assim tão simples como parecem.

O prometido é devido

Prometi ao Rafael que conheceria os manos no dia seguinte ao nascimento. Fiz-lhe várias promessas que não consegui cumprir, mas esta não poderia falhar.

Os gémeos nasceram a 16 de outubro e no dia 17 tiveram de ir para a Neonatologia, mas apenas fui informada quando o Rafael e o meu pai já estavam a caminho do hospital. O horário de visita naquele espaço é mais apertado e, quando chegaram, estava prestes a terminar. A pediatra aconselhou-me a não o deixar entrar, porque poderia ficar chocado com aquele cenário (os gémeos estavam na incubadora, despidos e cheios de fios). Não segui o seu conselho, conheço o meu filho e sei que isto iria passar-lhe ao lado. Sei que iria ficar todo entusiasmado por os ver, nem que fosse apenas por um minuto.

Amor Eterno

Fico a contemplar-vos e sinto o meu coração a transbordar de amor. Um tipo de amor que já me havia sido apresentado pelo vosso irmão, Rafael, e que pensava ser possível sentir apenas por ele. Tinha medo de não sentir o mesmo por vocês, mas enganei-me.

Lutei durante muito tempo para que crescessem dentro de mim, fortes e saudáveis. Pedi a Deus, todos os dias, para nascerem apenas a partir das 36 semanas e fui atendida. Tentei manter-me tranquila e positiva, por mim e por vocês, para que viessem calmos a este mundo. Disse muitas vezes ao vosso pai que estava tudo bem, quando o meu desejo era fugir daquela cama de hospital. Deitei cá para fora tudo o que estava a sentir, chorei muito, mas apenas durante um único dia em dois meses de internamento. Quando via o vosso irmão, um nó na garganta crescia rapidamente e tornava-se difícil controlar as emoções. Mas ele nunca me viu chorar.

O caos das primeiras noites

Eles são muito calmos, até ver, mas a amamentação destruiu-me física e emocionalmente. Fizemos, literalmente, diretas para amamentar os dois, quando conseguia tratar de um já eram horas de mamar o outro. A pega não estava a ser feita como deve ser, os mamilos começaram a ficar massacrados e tiveram de me emprestar uns de silicone. O problema é que eram do tamanho L, gigantes para bebés tão pequenos. Quando se deu a descida do leite, as dores tornaram-se horríveis, tentei extrair com a bomba e nada saía, eles não conseguiam mamar e ficavam, para além de esfaimados, claramente impacientes (irei escrever um artigo sobre a amamentação dos gémeos para que entendam, ao pormenor, tudo o que passei e como os implantes influenciaram bastante). Para piorar, eles começaram a beber suplemento e tiveram muitas dificuldades. Engasgavam-se e bolsavam imenso, ao ponto de o pai chegar a correr pelos corredores do hospital em busca de uma enfermeira porque chegaram a deixar de respirar. Tiveram até de ser aspirados, porque tinham muitos restos do parto no estômago e ficavam maldispostos. Conseguem imaginar a nossa preocupação?