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Os impulsos de mulher no regresso a casa

( Escrevi este texto quando saí do internamento, na semana passada. Fala sobre o meu regresso a casa )

Chegar a casa depois de quase dois meses de internamento e ver que muita coisa está diferente, que o meu marido soube cuidar dela, do nosso filho e da nossa cadelinha, enche-me de orgulho. Embora saibamos que é impossível ter tudo à nossa maneira, somos mulheres e está-nos no sangue querer sempre algo mais.

Mal cheguei e logo iniciei o habitual processo de “inspeção” não intencional. Comecei a olhar para todo o lado e com uma vontade quase incontrolável de arrumar tudo à minha maneira, mas não posso. O repouso que me pediram para fazer é muito importante para o bem-estar dos três, por isso tenho de acalmar-me não só a nível físico como também psicológico. Deveria encaixar isto na minha cabeça à medida que vos escrevo este texto, mas não está fácil, é mais forte que eu, por isso tento ver séries, escrever, dormir e comer (muito, por sinal ahahah). Um dia destes falo-vos no peso…

Uma batalha diária que não é só minha

Fotografia Dois é Par

Pergunto-me, diariamente, o que estarão a sentir os meus pais, o meu marido, o meu filho. A minha Família.

Entram aqui todos os dias com um sorriso no rosto, ligam várias vezes e nunca manifestam tristeza, descrença ou medo. Mas sei que, no fundo, eles estão de rastos. Sei que não dormem, que rezam diariamente, que choram e que estão esgotados com tudo isto. Percebo nas suas palavras, quando fraquejam, e deitam uma lágrima, percebo queembora acreditem num final feliz, pensam no lado menos bom também. É normal, eu faço o mesmo.

A importância de não estarmos sós

Fotografia Dois é Par

O início da semana começou com alguma ansiedade. Apesar do pensamento positivo, a expectativa em relação a uma ecografia morfológica é sempre grande e tinha medo que o resultado não fosse o melhor. Como sempre digo, cada dia é uma vitória e uma incógnita também. Tenho dias que passam num instante, distraída com as visitas que me fazem tão bem, e nem dou pelas poucas contrações, mas tenho outros em que até a família tem de sair mais cedo porque, com as dores, nem consigo falar! Quem me conhece sabe que adoro comunicar, adoro socializar e não sou do tipo de querer ficar no meu canto, por isso conseguem perceber quando algo não está bem.

Uma semana atribulada, mas carregada de esperança

Fotografia Dois é Par

Tem sido uma semana atribulada, com muitos altos e baixos, as contrações não abrandam e têm havido alguns sustos pelo caminho. O colo do útero está a estreitar cada vez mais e eles a fazerem pressão para sair! Ontem estive mais em baixo, com bastantes dores e contrações mas felizmente conseguimos chegar às 29 semanas. Parabéns a nós!

Cada dia é uma vitória e cada semana é um milagre! É desta forma que vejo e me pedem para o sentir.

Os dias são passados deitada numa cama de hospital, é uma situação frustrante e dolorosa para o corpo porque já não consigo arranjar posição. Tenho de controlar a mente, manter-me positiva e acreditar, acreditar sempre! Eles mexem- se imenso, o que me deixa mais tranquila porque significa que estão bem.

Filho meu

Fotografia Dois é Par

Meu filho, não posso pedir-te que compreendas o meu estado

Não posso exigir que não chores quando tens saudades da Mãe

À noite ficas agitado

Mas tens o colo do pai! Que descanso me dá

Perguntas por mim e a resposta é sempre a mesma

Desculpa, meu filho!

Um dia de cada vez

Como vos confessei ontem, estava com muito medo de partilhar este momento convosco, acho que me conseguem perceber! É um momento tão íntimo, tão cheio de dor, de dúvidas, que resguardadas nos sentimos melhor. Por outro lado, o vosso carinho é tão valioso e revitalizante que não aguentei não abrir o coração.

Queria agradecer-vos por todo o amor, acreditem, fizeram-me chorar de emoção e estou, profundamente, grata a cada um de vocês. Agradecer-vos é pouco, todas as vossas palavras confortaram o meu peito (e a minha barriguinha, se é que me entendem)!!! Até consegui dormir melhor. Obrigada, obrigada por estarem desse lado

Daqui, do hospital.

Estou internada há dias e com vontade de vos escrever para poder desabafar o que vai dentro de mim, mas ao mesmo tempo tive um medo enorme desta partilha e por isso demorei.

Dia 15 de Agosto comecei com contrações e algumas dores no baixo ventre! O meu marido ligou de imediato para a “Saúde 24” que enviaram, a correr, o INEM. O destino foi certo: Hospital. As contrações continuam, 27 semanas e 5 dias, e eu não quero acreditar! Risco de parto pré-termo não pode ser! Fico de imediato internada e embora o colo do útero esteja fechado, as contrações não vacilam e claramente podem desencadear o parto.

A minha mente vagueia e insiste em encontrar um foco positivo, o meu inconsciente acho que está ansioso, mas não quer transparecer…

Será que é possível dormir bem na gravidez?

A minha resposta é não, mas podemos tentar! Inicialmente, quando a barriga é pequenina e não temos de nos levantar 30 vezes para ir à casa de banho, até se aguenta bem, mas a partir do 2º trimestre não há alminha que durma descansada. Não temos posição para dormir: é perigoso se estivermos de barriga para cima, de barriga para baixo nem pensar, para o lado direito mais ou menos, o melhor mesmo é dormir para o lado esquerdo (qualquer dia experimento dormir de pé!).

De manhã parece que fui atropelada por três camiões! Já para não falar nas insónias, na azia, na fome que não desaparece e no calor insuportável que tenho. Se na gravidez do Rafa, que foi passada durante o inverno, andava cheia de calores, imaginem nesta… Ainda por cima, o conselho que mais me dão é: “aproveita para dormir agora”! Sabem lá o que dizem! Como se conseguíssemos angariar o máximo de horas de sono para quando o bebé nascer não seja necessário.

O síndrome de limpar e arrumar a casa antes do bebé nascer

Acabaste de entrar no último trimestre de gravidez, o parto aproxima-se e de repente invade-te uma imensa vontade de limpar e organizar a casa? Não te preocupes, não estás sozinha! Eu e muitas outras mulheres sentimos o mesmo (podia-nos ter dado para pior!).

Quem me conhece sabe que não consigo ter a casa desarrumada e/ou por limpar. Sabe que sou capaz de ficar de mau humor ao longo do dia se as coisas não estiverem organizadas. É um mal de família e acreditem que criticava imenso a minha mãe por ser assim, mas sou igual (pela boca morre o peixe!).

No entanto, agora que se aproxima o grande momento, está a ser cada vez mais difícil fazer as coisas em casa, porque fico ainda mais ansiosa e quero fazer tudo. Que chatice!