O meu filho está viciado em tecnologia e o teu? - Birras em Direto

O meu filho está viciado em tecnologia e o teu?

Antes do meu filho nascer pensei inúmeras vezes no poder da tecnologia e em como isso poderia influenciá-lo… Fazia-me imensa confusão as crianças estarem num restaurante completamente desligadas do mundo ao redor e vidradas num pequeno ecrã…

O Rafael tem 3 anos e sabe jogar no telemóvel, vê vídeos, sabe o que procurar e onde procurar. Para ser sincera, o Rafael sabe mexer melhor no telemóvel que a minha Mãe.

Que atire a primeira pedra, a Mãe que nunca deu um telemóvel ou um tablet para a mão do seu filho quando a paciência tinha esgotado, quando precisava de fazer 1001 coisas e não conseguia porque ele exigia a sua atenção, quando estava exausta e não conseguia brincar…

Eu fiz… Ainda faço… E não tenho problema em admitir!!!

Será que o meu filho está viciado em tecnologia? Eu acho que sim mas muitas vezes ele sabe quando deve parar e até é o próprio a dizer que está farto e que quer brincar…

Este é um tema tão importante, um tema que preocupa a maioria dos pais e às vezes não sabemos como agir e tomar algumas medidas.

Assim que o livro “#GERAÇÃOCORDÃO – A geração que não desliga!” me veio parar às mãos comecei logo a devorá-lo. Precisava de técnicas e dicas para tentar controlar esta situação aqui em casa.

Decidi entrevistar a Ivone Patrão, Psicóloga, Terapeuta Familiar e autora dos livro “#GERAÇÃOCORDÃO – A geração que não desliga!”  para ficarem a conhecer um pouco melhor o conteúdo deste livro que já faz parte dos meus favoritos.

  • Às vezes dizemos que as nossas crianças já nasceram com o dom da tecnologia e basta agarrarem num telemóvel que conseguem decifrar coisas que nós ainda nem sabíamos que existiam. Há alguma maneira de evitar este vício principalmente quando ainda são muito novos?

Claro que sim. A melhor forma é fazermos – pais, educadores, professores e sociedade civil em geral – a introdução da tecnologia desde logo cedo mas com um grande MAS, ou seja, não basta darmos os dispositivos móveis para as mãos das crianças, é preciso que o adulto se sente com elas, que experimente com elas o que funciona, como funciona, e que conteúdos podem visualizar e pesquisar. Sempre com um acordo prévio do tempo que vão estar a usar os dipositivos. Nunca como único reforço positivo pelo seu bom comportamento ou como forma de os sossegar – a tecnologia não pode ser a única ferramenta que se tem à mão para educar as crianças, deve ser mais uma entre muitas.

  • Os Pais estarão a dar os maus exemplos aos filhos?

Nos estudos que tenho realizado com amostras portuguesas há um dado claro: as crianças em média estão online a partir dos oito anos sem supervisão parental; os pais em média tiveram acesso às tecnologias a partir dos 24 anos. Há um fosso geracional muito grande entre pais e filhos quanto ao uso das tecnologias. Por isso, vemos pais deliciados coma tecnologia, na descoberta das maravilhas de um smartphone, por exemplo. A questão é que estão todos ao mesmo tempo a descobrir as tecnologias e os pais passam o modelo da curiosidade, mas também têm que passar o modelo do autocontrolo. Tem de partir do adulto a ajuda na regulação do comportamento online. Os adultos não se podem esquecer que hoje em dia são mais do que um modelo presencial são também um modelo digital. Tudo o que fazem online pode ser visualizado pelos mais novos!

  • O meu filho tem 3 anos, adora brincar, jogar à bola mas quando vê um telemóvel parece íman. Será que irá ter consequências no futuro? Quando devemos dizer “BASTA”?

Assim como nos preocupamos com as regras de uma boa alimentação, de uma boa higiene, de uma boa noite de repouso para que as crianças tenham um desenvolvimento saudável, então também temos de nos preocupar com o seu comportamento digital. Todos os pais já fizeram negociação para que os filhos comam a sopa, vão dormir, lavem os dentes e até num outro nível atravessem a estrada em segurança, por isso, no que toca ao comportamento online podem e devem fazer o mesmo, negociar, informar, estabelecer limites, que devem ser adequados ao seu modos de viver e às necessidades da criança de acordo com a idade.

  • A oferta é cada vez maior e hoje em dia o digital abrange a maioria das profissões, se nós tínhamos o sonho de ser médicos, jogadores de futebol, as nossas crianças têm o sonho de serem Youtubers. Será um mau caminho ou será esse o caminho?

Não, é mais um caminho. Nem todos vão ser Youtubers ou Bloggers pelas mesmas razões que nem todos serão médicos, professores ou jogadores de futebol. A questão essencial é de perceber se estamos perante um jovem com competências ao nível da comunicação e que pode apostar nessa área. Muitos têm uma espécie de febre, que depois passa – é uma forma de estarem inseridos no grupo de pares.

  • Para quem não conhece, o que pode esperar deste livro?

O livro “#GERAÇÃOCORDÃO – A geração que não desliga!” é o primeiro livro dirigido ao público em geral – pais, educadores, professores, instituições que trabalham com crianças e jovens – que expõe as vantagens e dificuldades do mundo online, com vários exemplos de casos ao longo do texto e com orientações muito concretas do que fazer, de como atuar. Qualquer leitor pode contactar comigo através do email geracaocordao@gmail.com dar o seu testemunho, a sua experiência, colocar as suas dúvidas – assim de forma interativa poderemos construir as futuras edições do livro, à medida da realidade e das necessidades.

Entre muitos outros temas, este livro aborda:

– O uso da Internet

– Likes, selfies, phubbing, youtubers, bloggers

– Estar online é seguro?

– Sexting, cyberbulling, ciberstalking, grooming

– Pegada digital

– Os pais como modelos

– Fosso digital entre pais e filhos

– O que os pais precisam de saber

– Vantagens e desvantagens das tecnologias

– Consumo saudável da Internet

– A dependência

– Construção de guiões de boas-práticas

Acho que dá para perceberem o conteúdo do livro e de como nos pode ajudar com os nossos filhos.

Contem-me como é a relação dos vossos filhos com a tecnologia…

Beijinhos

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